Pérolas 2

Gandhi casou aos 13 anos com Kasturba, um casamento arranjado entre familias como era tradição na India. Naquela altura tudo aquilo era uma brincadeira para ele, no entanto o rapazinho fez-se adolescente e foi com ela que experimentou o amor carnal pela primeira vez. Tornou-se obcecado na mulher e viciado em sexo como é notório nas suas palavras, algo de que ele se envergonha aquando da escritura da biografia. Essa paixão ardente não era má de todo, porque segundo ele de facto a amava e desejava reciprocidade, que mais tarde veio a ter. Só depois de estudar em Inglaterra e ter ficado longe durante anos acalmou o seu espirito nessa faceta.
Mesmo na juventude Gandhi tentou ser sempre cada vez mais fiel à verdade, e a verdade é não mentir, não roubar e cumprir aquilo a que se comprometera. Havia desde cedo uma aptência para a espiritualidade e uma compreensão nata dos principios morais mais profundos. Cedo Gandhi compreendeu os 2 poemas citados abaixo que o impressionaram bastante. O primeiro é um poema de Shamal Bhatt, o 2º é um poema da Bhagavad-Gita, uma escritura Indu que leu em Inglaterra. Este segundo poema tem uma verdade profunda, compreendida e posta em prática por pouquissima gente, tão pouca que não conheço nenhuma.
É interessante notar que por detras de uma pessoa timida e excluida pode estar uma alma maravilhosa, um génio e há muitos exemplos disto na história. Faz pensar o quanto cruel é a exclusão social, tão visível nos dias de hoje. A sociedade vive de força exterior e imagem, a bondade vive de força interior e coragem.
No fim deste segundo artigo sobre o livro de Gandhi volto um pouco atrás, ao inicio do livro onde humildemente e humanamente Gandhi adverte para cada um procurar a verdade e não considerar as suas palavras como dogmas mas como as de um irmão que busca a verdade como cada um de nós.
"O meu tio disse que continuaria a massagem e que eu poderia ir para a cama. Eu fiquei contente e fui directamente para o meu quarto. A minha mulher, coitada, estava a dormir profundamente quando entrei no quarto, mas como é que poderia dormir quando eu estava ali ao seu lado? Acordei-a"
"Quando te derem um copo de água, oferece um prato de comida;
Quando te derem um bom-dia sincero, curva-te com respeito e zelo;
Quando te derem uma simples moeda, devolve com ouro.
Se conquistares a tua vida, não será uma vida contida.
Os actos e as palavras dos sábios só serão coerentes
quando reconhecerem o trabalho dos que os servem.
A verdadeira nobreza do ser humano está na alegria
de retribuir com o bem o mal que lhe causam."
"Do apego aos sentidos, nasce a atracção;
da atracção, brota o desejo;
o desejo gera uma paixão avassaladora
e a paixão conduz à imprudência.
Neste momento, a memória, totalmente traída,
abandona o seu propósito mais nobre,
para então corroer a mente.
E assim, o propósito, a mente e a pessoa se deterioram."
"Quanto mais me procurava a mim próprio, mais as necessidades de mudança interna e externa aumentavam"
"... a moralidade é a base de tudo na vida e a verdade dá-lhe substância. A procura da verdade passou a ser, então, o meu único objectivo."
"O bem em retribuição do mal - tornou-se o princípio que rege a minha vida"
"Rezo para que ninguém considere definitivas as opiniões deste livro. As experiências aqui descritas devem ser tomadas apenas como ilustrações pessoais, da mesma forma que todos os individuos trazem em si vivências próprias, segundo a sua inclinação e capacidade."
  • Mohandas K. Gandhi

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