Ad Infinitum

O tempo é produto do nível de consciência. Com uma consciência expandida ad infinitum o tempo é comprimido ad infinitum. No nível de consciência actual onde todos estamos, no plano terrestre, o tempo é lento e o presente parece duro e estanque com o passado e o futuro envoltos em espessa névoa.
É essa a razão pela qual as consciências que tocaram o outro nível de existência têm uma enorme dificuldade em transmitir o seu estado e as suas experiencias por palavras aos comuns que nunca experienciaram um estado avançado de existência. Neste estado físico onde nos encontramos é extraordinariamente difícil ou mesmo impossível saltar para alem da lógica. Por exemplo, a nossa pequena mente é incapaz de imaginar um espaço com 4 dimensões físicas embora a matemática diga que é uma realidade perfeitamente possível. O mesmo se passa com o tempo.
Na nossa lógica o tempo é essencial para definir mudança e acções – para um estado se tornar noutro é preciso espaço e tempo, sem tempo é impossível haver mudança pois o espaço fica congelado incapaz de mudança. No entanto apesar de toda a irracionalidade novas áreas de investigação teórica estão a demonstrar que o tempo é apenas um conceito e não existe. Como se o Universo fosse nada mais que um sonho feito de nada onde tudo acontece ao mesmo tempo. Quando tudo acontece ao mesmo tempo... tudo se dilui numa sopa existencial, ad infinitum.
"A diferença entre este nível de consciência e o próximo é a mesma em proporção entre a vida uterina e a vida adulta". Estamos presos a um corpo físico que nos impede de florescer para o nosso real potencial. A nossa esfera consciente actual resume-se ao limite do que conseguimos obter pelos nossos sentidos do mundo exterior e à capacidade intelectual e emocional do mundo interior.
Na próxima vida todos estes meios de comunicação com a realidade são enormemente incrementados de tal forma que saltam a lógica do mundo físico. Em relação a capacidades concretas do Ser, vamos ser capazes de racionalizar conceitos e operações não só instantaneamente como também de extrema complexidade, muito alem dos mais avançados computadores que conhecemos. Portanto a nossa capacidade de aprendizagem racional de conceitos naturais e de compreensão absoluta da realidade será em teoria... ad infinitum. Não importa qual a nossa capacidade actual de aprendizagem porque essa está intimamente ligada ao nosso estado cerebral físico. Iremos ser capazes de nos deslocar instantaneamente não importa a distancia, e podemo-lo fazer apenas querendo lá estar. Também seremos capazes de estar em dois lugares ao “mesmo tempo” expandindo a consciência e de ter um angulo de visão de 360º.
Quanto ás capacidades emocionais seremos capazes de sentir de facto o que os outros sentem, ler os pensamentos e comunicar telepaticamente. Não existirão segredos ou coisas escondidas nos nossos pensamentos ou no nosso ser, o nível de privacidade que aqui possuímos acaba. Isto pode ser assustador para muita gente e esta é a principal razão pela qual evoluir e aprender espiritualmente é muito mais difícil do que aprender o racional. Neste nível de existência esta diferença não é tão notória mas passará a ser no próximo nível. As nossas acções e emoções terão um impacto profundo nos outros e em nós porque nada nos é escondido. Todas as ramificações das nossas acções e sentimentos nos outros serão imediatamente compreendidos por nós causando jubilo ou tristeza consoante o que provocamos nos outros, já que sentimos exactamente o que os outros sentem e existe uma compreensão intrínseca da lei moral e haverá uma ligação profunda e indelével entre toda a vida. Assim consequentemente apenas será possível a paz interior e exterior se dentro de nós evoluirmos uma capacidade de perdão e compreensão ad infinitum. Teremos de ser capazes de perceber a ordem das coisas e não condicionar a existência dos outros em função da nossa mas sim condicionar a nossa em função da Existência geral, tendo paciência e todo o tempo do mundo para com aqueles que não possuem ainda essa percepção.
A nossa ideologia e compreensão da realidade refletir-se-á no próximo nível de consciência. Seremos criadores do nosso próprio céu ou inferno. A nossa alma refletir-se-á na realidade, assim se a ideia de paraíso para alguns será viver numa ilha tropical essa será a sua “visão” no próximo nível se assim o desejarem. É possível que possamos evoluir no sentido de sermos criadores de mundos cada vez mais impressionantes.
Tendo a realidade como "ad infinitum" e a Consciência como verdadeira existência, a realidade que conhecemos faz sentido. Todas as coisas sendo iguais, a nossa natureza consciente é eterna ad infinitum. Grandes filósofos tentaram provar isto e penso que Sócrates e Platão com a sua alegoria da caverna chegaram perto.
Só uma coisa antecedeu o primeiro acto consciente, ou melhor, terá acontecido ao mesmo tempo, já que o conceito de tempo como seta (unidireccional e entropica) só existe nesta realidade. O primeiro acto consciente aconteceu ao "mesmo tempo" que a capacidade de Existir. Assim se pode deduzir que a Consciência e a Existência estão intimamente ligadas e são dependentes uma da outra um pouco à semelhança do espaço-tempo de Einstein. Esta Consciência é a consciência de Deus se assim o quisermos chamar. Tudo o que se seguiu depois é provavelmente melhor definido como um sonho vivido por esta Consciência.
"O Nada não Existe, pois se Existisse já Seria algo."
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